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Publicado em 10/04/2021 às 09h34 | |

Depois de 14 meses: "Claro que vou sentir frio na barriga" Galvão Bueno volta a narrar

Escalado para a Supercopa, entre Flamengo e Palmeiras, narrador fala em entrevista ao ge sobre quarentena em casa, defende vacina e diz que gostaria de ver o futebol "junto com o mundo"...confira a entrevista.

Galvão Bueno vai narrar Flamengo x Palmeiras no domingo — Foto: Divulgação

 Galvão Bueno vai narrar Flamengo x Palmeiras no domingo — Foto: Divulgação

Depois de idas e vindas na Justiça, está tudo liberado e confirmado, e neste domingo, quando Flamengo e Palmeiras entrarem em campo para decidir a Supercopa do Brasil, às 11h, em Brasília, Galvão Bueno vai fazer algo inédito em 47 anos de carreira: voltar a narrar.

– Como é voltar? Não sei. Nunca voltei. Nunca tinha parado antes – disse Galvão.

Entre a Supercopa de 2020, último evento narrado por Galvão, e a Supercopa de 2021 foram 420 dias, 60 semanas, 14 meses. O que não significa que ele tenha ficado parado. Ao contrário. Nesta entrevista, concedida na última quinta-feira, Galvão conta como atravessou esse longo período – do engajamento em campanhas para ajudar quem mais precisa à redescoberta pela paixão por cozinhar – e revela o que mais lamentou não ter narrado em 2020.

 

Leia abaixo a entrevista com Galvão Bueno:

ge: Galvão Bueno ainda sente frio na barriga?
Galvão: – Depois de 14 meses nesse estúdio montado em casa, eu tenho certeza que vou sentir muito frio na barriga. Porque é um retorno, é um renascimento meu, do meu trabalho, do que eu amo fazer. Gostaria apenas que fosse em outras circunstâncias.

Como é voltar a narrar?
– Como é voltar? Não sei. Nunca voltei. Nunca tinha parado antes. Comecei em 1974, estamos em 2021, nunca passei mais de 15 dias sem fazer uma narração. Então não sei. Mas é como um jogador voltando de contusão, tem que se preparar. Fiz fono, cuidei da garganta, da voz, tudo para voltar da melhor forma possível.

Como vai ser?
– Vou fazer minha primeira viagem a trabalho em 14 meses. Vou para o estúdio da Globo, em São Paulo, com toda a segurança. Vou estar lá com o Caio, o Júnior vai estar na casa dele, e a reportagem vai estar no campo.

Como você atravessou essa quarentena?
–Tentei continuar trabalhando. Na Globo, nos jogos históricos da seleção brasileira, no "Bem, Amigos!", no Seleção SporTV, nos meus negócios pessoais e me exercitando, porque estar bem fisicamente ajuda a mente a estar bem. Eu me dediquei muito em campanhas em prol dos mais necessitados. Eu talvez tenha sido uma das primeiras vozes a falar em TV aberta: "A pandemia veio pela elite, por gente que trouxe o vírus do exterior. E quando atingir as favelas?". O resultado está aí, mais de 340 mil mortes.

O que aprendeu?
– A ter mais paciência. E voltei às panelas, uma antiga paixão, que é cozinhar, criar coisas novas, inventar. Eu me dividi entre minha casa em Londrina e a vinícola no Rio Grande do Sul, sempre isolado.

Surgiu algum hábito novo nesse período que não vai mais ser largado?
– A consciência, a obrigação que nós, privilegiados, temos de ter com a solidariedade. Muita gente fez muita coisa, mas estaremos melhor se todos fizermos alguma coisa. Isso dominou minha cabeça.

O que mais doeu nesse período?
– O que me dói muito são essas mais de 340 mil mortes, tantas famílias sofrendo. Perdi familiares, perdi amigos antigos, amigos recentes, companheiros queridos de trabalho. Mas não quero citar nomes aqui. Quero só dizer que estou ao lado daqueles que perdem a cada dia. É o que mais me dói, tantas mortes, essa dificuldade para vacinar as pessoas, o negacionismo.

Já tomou as duas doses da vacina?
– Sou um privilegiado. Tomei as duas doses em Candiota, um município pequeno do Rio Grande do Sul, mas muito importante para o agronegócio [onde Galvão tem residência e comanda uma vinícola]. Tomei com a minha carteirinha do SUS. Viva a vacina, viva a ciência!

 

Fonte:Globo.com

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