Vencer na altitude já é, por si só, um dos maiores desafios do futebol sul-americano. Agora, conquistar uma vitória com autoridade nesse cenário é ainda mais raro. Mas o Flamengo já provou que isso é possível — e justamente no palco onde inicia mais uma caminhada na Libertadores: o Estádio Garcilaso de la Vega, em Cusco, no Peru, a impressionantes 3.350 metros acima do nível do mar.
O histórico rubro-negro em altitudes superiores a 2.500 metros evidencia o tamanho da missão. Em 18 partidas nessas condições, o clube carioca venceu apenas quatro vezes, empatou cinco e sofreu nove derrotas. E, na maioria dos triunfos, o placar foi apertado — vitórias magras, decididas no detalhe.
A exceção que virou referência
Nenhum resultado, porém, se compara ao emblemático 3 a 0 sobre o Cienciano, em 2008. Curiosamente, o feito aconteceu em um período de menor investimento do clube, ainda distante da potência financeira que se tornaria anos depois.
Sob comando de Joel Santana, o Flamengo entrou em campo com nomes como Bruno, Léo Moura, Fábio Luciano, Juan, Ibson, Kleberson e Renato Augusto — uma equipe que aliou disciplina tática e inteligência estratégica para superar não apenas o adversário, mas também os efeitos extremos da altitude.
Juan, um dos protagonistas daquela vitória, relembra que o resultado não traduziu a dificuldade do confronto. O primeiro tempo terminou sem gols graças à atuação decisiva do goleiro Bruno. Já na etapa final, o Flamengo soube aproveitar os espaços: Renato Augusto abriu o placar em contra-ataque, Toró ampliou em situação semelhante, e o próprio Juan fechou o marcador com uma cobrança de falta precisa nos acréscimos.
Estratégia, resistência e adaptação
Mais do que técnica, vencer em altitude exige preparação específica. Ao longo dos anos, o clube utilizou métodos diversos, como treinos em piscina, exercícios com restrição respiratória e até câmaras hiperbáricas — tudo para simular as condições adversas do ar rarefeito.
Segundo Juan, o segredo está no controle físico e emocional durante a partida:
“Não dá para atacar o tempo todo. É preciso saber dosar, escolher o momento certo e manter o posicionamento. Um jogo inteligente faz toda a diferença na altitude.”
Novo desafio, mesma missão
Agora, 18 anos depois daquela vitória marcante, o Flamengo retorna a Cusco para enfrentar o Cusco FC, equipe que herdou a estrutura do antigo Real Garcilaso. O desafio permanece o mesmo: superar o desgaste físico, manter a organização tática e aproveitar as oportunidades com eficiência.
Quando a bola rolar, a expectativa é de um duelo que vai além da técnica — será, mais uma vez, um teste de resistência, estratégia e maturidade competitiva.
Por: ge







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